Os únicos animais que deviam deixar entrar nos restaurantes (incluindo as esplanadas) são os que vêm já preparados. No forno, na grelha, em carpaccio ou tártaro, na caçarola, seja como for. De cãezinhos e canzarrões, mais os seus ternurentos e carentes donos e progenitores, estou farta.
Este é um blogue sobre sítios de Comes & Bebes (e, de vez em quando, sobre o que mais me apetecer). Quando entro num restaurante, seja de luxo ou popular, as minhas expectativas são sempre baixas e eles é que precisam de me convencer. Ao mínimo deslize... peço o livro de reclamações!
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sábado, 11 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O Senhor Manoel de Oliveira
Primeiro foi o Poeta Herberto, agora também o Cineasta Manoel. Esta primavera está a ser terrível para os Artistas Cotas, o que é uma injustiça, porque há para aí tantos que ainda são jovens mas deviam ir antes deles, em vez de nos infernizarem a vida com a sua "criatividade".
Não se pode dizer que eu fosse muito apreciadora, ou até conhecedora, da obra do Senhor Manoel. Uma vez cheguei a ver um filme, que era a preto e branco e tinha muitas crianças a brincar, porque me disseram que era aquele do "esternocleidomastoideu", ou o do "Ó Evaristo, tens cá disto?!", com a dupla de humoristas portugueses Bucha e Estica. Mas, afinal, o homem da loja não se chamava Evaristo nem tinha bigode, como o Senhor António Silva (o nome verdadeiro do Estica, não sei se sabem; o Bucha era o Senhor Vasco Santana). Fiquei um bocado desiludida, e além disso o filme precisava de legendas, era muito mal falado. Lembro-me ainda de outro filme, também a preto e branco, que o meu avô gostava muito porque mostrava a vida no Douro, com os rabelos, os carros de bois, as pipas de vinho e isso tudo. O meu avô era de Agrelos.
Mas adiante. Tenho pena que o Senhor Manoel se vá. Muita gente gostava dele e dos seus filmes, no mundo inteiro, e se muita gente gostava dele devia ser bom. Também tenho que vos dizer que eu uma vez conheci-o pessoalmente, ou quase, num restaurante do Porto, o Escondidinho, onde ele estava numa party com um grupo muito catita de médicos do Hospital de S. João. Até tirei, para vergonha da minha amiga Francisca (aquela loura singular), uma fotografia, mas sem eles darem conta. Ora vejam - o Senhor Manoel, naquele momento, pareceu-me o Abrunhosa, de óculos escuros.
Era um bom garfo, mas para chegar aos cento e seis anos não devia ser de excessos. Contaram-me que o segredo dele era evitar os galões, as meias de leite e essas cenas que eu também acho um bocado nojentas. Mas não sei se não era mesmo das sopas. É que um dia li isto numa entrevista que ele deu a um jornal:
Não se pode dizer que eu fosse muito apreciadora, ou até conhecedora, da obra do Senhor Manoel. Uma vez cheguei a ver um filme, que era a preto e branco e tinha muitas crianças a brincar, porque me disseram que era aquele do "esternocleidomastoideu", ou o do "Ó Evaristo, tens cá disto?!", com a dupla de humoristas portugueses Bucha e Estica. Mas, afinal, o homem da loja não se chamava Evaristo nem tinha bigode, como o Senhor António Silva (o nome verdadeiro do Estica, não sei se sabem; o Bucha era o Senhor Vasco Santana). Fiquei um bocado desiludida, e além disso o filme precisava de legendas, era muito mal falado. Lembro-me ainda de outro filme, também a preto e branco, que o meu avô gostava muito porque mostrava a vida no Douro, com os rabelos, os carros de bois, as pipas de vinho e isso tudo. O meu avô era de Agrelos.
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| O ator Nascimento Fernandes, o lojista de Aniki Bobó. |
Mas adiante. Tenho pena que o Senhor Manoel se vá. Muita gente gostava dele e dos seus filmes, no mundo inteiro, e se muita gente gostava dele devia ser bom. Também tenho que vos dizer que eu uma vez conheci-o pessoalmente, ou quase, num restaurante do Porto, o Escondidinho, onde ele estava numa party com um grupo muito catita de médicos do Hospital de S. João. Até tirei, para vergonha da minha amiga Francisca (aquela loura singular), uma fotografia, mas sem eles darem conta. Ora vejam - o Senhor Manoel, naquele momento, pareceu-me o Abrunhosa, de óculos escuros.
Era um bom garfo, mas para chegar aos cento e seis anos não devia ser de excessos. Contaram-me que o segredo dele era evitar os galões, as meias de leite e essas cenas que eu também acho um bocado nojentas. Mas não sei se não era mesmo das sopas. É que um dia li isto numa entrevista que ele deu a um jornal:
"Como sopa, de legumes. Porque um cientista, que fez um exame à nutrição dos americanos que deixaram de comer sopa às refeições, declarou que se eles retomassem a sopa diminuiriam o cancro em mais do que cinquenta por cento. Também gosto de sopa de peixe"...Quem não gosta de sopa de peixe, um dos meus amores de perdição?
terça-feira, 31 de março de 2015
Publicidade perigosa...
Vou-vos falar de outro projeto, ou melhor, contar outra história. Há uns meses, vinha eu de um passeio pelos Caminhos do Romântico, quando no 49 da rua da Restauração deparo com carrinha da polícia parada no meio da rua, com um agente apeado a interrogar um jovem imberbe mascarado de pistoleiro, com chapéu, lenço negro a tapar o rosto e coldre com duas pistolas. Ao aproximar-me, percebi que o agente perguntava pela licença de uso e porte de arma e o rapaz, todo atrapalhado, foi chamar o patrão dentro estabelecimento, a Taberna Zé do Telhado...
Tratava-se apenas de publicidade ao restaurante - as armas eram muito antigas, de coleção, e o rapaz estava disfarçado de Zé do Telhado para chamar freguesia... A coisa por ali ficou, penso eu...
O que é certo é a ideia durou poucos dias e passados alguns meses o restaurante fechou...dedicam-se agora a antiguidades.
Tratava-se apenas de publicidade ao restaurante - as armas eram muito antigas, de coleção, e o rapaz estava disfarçado de Zé do Telhado para chamar freguesia... A coisa por ali ficou, penso eu...
O que é certo é a ideia durou poucos dias e passados alguns meses o restaurante fechou...dedicam-se agora a antiguidades.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Crítica de restaurantes: Vinhas d'Alho
Talvez esteja a ser injusta, porque, afinal, só provei um prato. Mas eram tripas, caraï! Como é que alguém se atreve a servir aquela aguadilha, acompanhada de um arroz semi-cru, e chamar-lhe tripas? A qualidade das tripas, aqui no Livre de Reclamações, define um local de consumo. Se são más, o sítio é mau. Se são boas... nunca fiando, prove-se outra coisa até ter a certeza.
Com a localização que tem, com a vista privilegiada sobre o Douro e o Porto-Gaia Património da UNESCO, com o sol a brilhar e o vinho fresco... e alguém resolveu fazer ali um restaurante para agarrar o incauto turista gaulês, galego ou lisboeta. E nem isso consegue: ainda sou do tempo em que lá passava e aquilo estava cheio de camónes a dizer "ai que lindo está o riu!". Mas neste sábado, em que o centro histórico estava cheio de turistas, foi facílimo arranjar lugar. Eu devia ter adivinhado...
Enfim: podia ter um nível compatível com a imagem 1. Mas, infelizmente, só consegue refletir os edifícios de mau gosto no cimo da colina do lado de Gaia, como se vê na imagem 2.
Imagem 1
Imagem 2
quinta-feira, 26 de março de 2015
Eu é mais é soquetes...
Confesso que fui eu que insisti com umas amigas para irmos a um restaurante de sushi. Chegadas lá, conversa puxa conversa, acabámos numa acalorada discussão sobre o salmão (umas defendiam que o salmão carrega uma grande quantidade de ómega 3, vitaminas A, D, E e do complexo B, magnésio e ferro... outras que a maioria do salmão é criado em cativeiro, tem uma cor que vai do cinza ao bege-claro, passando no máximo por um rosa-pálido e que só tem a cor salmão porque é alimentado uma ração com aditivos sintéticos, derivados de petróleo...).
Conclusão, saí do restaurante um pouco enjoada, não sei se do salmão, se do chá de jasmim...
Cheguei a casa, enfiei-me na cama e fiquei a pensar "eu é mais é soquetes".
Conclusão, saí do restaurante um pouco enjoada, não sei se do salmão, se do chá de jasmim...
Cheguei a casa, enfiei-me na cama e fiquei a pensar "eu é mais é soquetes".
quarta-feira, 25 de março de 2015
Parafusos... e coisas
Procurava eu parafusos na rua da Fábrica... para a minha vespa, quando no n.º 73 deparo com um novo estabelecimento... Ostras & Coisas - Mediterranean Restaurant | Seafood Restaurant. Marquei na minha agenda... em breve irei satisfazer a minha curiosidade e avaliar a frescura das mesmas...
segunda-feira, 23 de março de 2015
Não vos vou fazer olhinhos de polvo...
Na sexta-feira, se deus nosso senhor me der apetite, vou jantar ao Olhinhos de Polvo, em Matosinhos (Portugal). Os que conhecem, sabem como é difícl marcar lugar neste templo da relação qualidade-preço.
Da última vez, foi assim: lambuzei-me toda.
Da última vez, foi assim: lambuzei-me toda.
sábado, 21 de março de 2015
O primeiro post é sempre o mais difícil
Um bom princípio é começar pela sopa. Mas pedirem quase vinte euros por esta olla aranesa e, ainda por cima, serem forretas no toucinho... não lembra a ninguém! Valeu-lhes estarmos a pé, rodeados de neve, a dez quilómetros da civilização e sem alternativa!
Mas, vá lá, a sala austera é muito agradável, principalmente com seis graus negativos no exterior.
Março de 2015.
Local: Refugi Amics de Montgarri, perto de Beret, Val D'Aran, Catalunha (que ainda é Espanha).
A carta, na escala da Natálya, que vai de (-5: blhêec!) a (+5: I'm in Heaven):
Variedade: -3 (tenho que ser justa; praticamente havia a sopa e dois ou três tipos de carne para grelhar, mais um queijo).
Qualidade: + 1 (porque é adequada ao local).
Vinhos e bebidas: -1 (muito básica, mas quem quer requintes no meio da serra?)
A sala: não podia ser mais rústica. Atenção que a capacidade é pequena, não dá para mais de 12 pessoas. Mas se estiver tempo aceitável pode sempre trazer-se a comida cá para fora.
Acessos e estacionamento: chega-se lá a pé (duas horas de caminhada desde o parque de estacionamento de Beret!). No inverno, outras alternativas são a moto de neve ou o trenó puxado por cães. No verão, a bicicleta parece o mais adequado.
Enquadramento: juntinho ao Mosteiro de Montgarri, não podia ser mais estimulante (+5).
Preço: caro, para uma quase-barraca de pastores montanheses.
Apreciação global: o local compensa tudo. Vão lá. E reclamem do preço.
Mas, vá lá, a sala austera é muito agradável, principalmente com seis graus negativos no exterior.
Março de 2015.
Local: Refugi Amics de Montgarri, perto de Beret, Val D'Aran, Catalunha (que ainda é Espanha).
A carta, na escala da Natálya, que vai de (-5: blhêec!) a (+5: I'm in Heaven):
Variedade: -3 (tenho que ser justa; praticamente havia a sopa e dois ou três tipos de carne para grelhar, mais um queijo).
Qualidade: + 1 (porque é adequada ao local).
Vinhos e bebidas: -1 (muito básica, mas quem quer requintes no meio da serra?)
A sala: não podia ser mais rústica. Atenção que a capacidade é pequena, não dá para mais de 12 pessoas. Mas se estiver tempo aceitável pode sempre trazer-se a comida cá para fora.
Acessos e estacionamento: chega-se lá a pé (duas horas de caminhada desde o parque de estacionamento de Beret!). No inverno, outras alternativas são a moto de neve ou o trenó puxado por cães. No verão, a bicicleta parece o mais adequado.
Enquadramento: juntinho ao Mosteiro de Montgarri, não podia ser mais estimulante (+5).
Preço: caro, para uma quase-barraca de pastores montanheses.
Apreciação global: o local compensa tudo. Vão lá. E reclamem do preço.
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